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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Rachadura gigante em deserto na África pode criar novo oceano

Fenda na Etiópia tem 56 km de comprimento e 6 metros de largura.
Ampliação da fissura, iniciada em 2005, é objeto de nova pesquisa.

Foto: Julie Rowland/Universidade de Auckland

Seção central da fissura, com quase 60 km de comprimento (Foto: Julie Rowland/Universidade de Auckland/Cortesia)

Uma fenda aberta em 2005 em um deserto na Etiópia é considerada por alguns geólogos o berço de um “novo oceano”. A rachadura, com 56 quilômetros de extensão e 6 metros de largura, é objeto da curiosidade intelectual de um consórcio de pesquisadores britânicos, americanos e etíopes, que mantêm um site com o diário das investigações. Tudo começou quando o Vulcão Dabbahu, no terminal norte da fissura, entrou em erupção. O magma passou a fluir pela fenda, em um processo chamado intrusão, ampliando-a.

Foto: Cindy Ebinger/Royal Holloway/Universidade de Londres

Estudo na 'Geophysical Research Letters' reacende interesse por fissura no Deserto de Afar (Foto: Cindy Ebinger/Universidade de Rochester/Cortesia)

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Agora, um estudo publicado na “Geophysical Research Letters” conclui que os processos envolvidos na criação da fissura, no Deserto de Afar, são quase idênticos aos que ocorrem no fundo dos oceanos. “O principal neste estudo é entender se o que está ocorrendo na Etiópia é similar ao que está acontecendo no fundo do oceano, onde é quase impossível irmos”, afirma Cindy Ebinger, da Universidade de Rochester, uma das autoras da pesquisa. “A resposta é ‘sim’, é um processo análogo.”

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pas de deux na areia

Bruno e Luciana saem sozinhos e sem rumo pelo deserto

Título da Matéria

Bruno é incansável. Mal retorna da caminhada com Helena e já está pronto para uma nova aventura, desta vez com Luciana. O deserto é o desafio deles. O carro é apropriado pra trilhas acidentadas e aguenta qualquer parada, qualquer obstáculo. Mas Luciana quer mais – quer tudo que é possível e a toda velocidade. Bruno atende seus desejos, pisa fundo e põe  a máquina para voar. Uma nuvem de poeira sobe atrás deles. A cada solavanco, Luciana se aproxima mais de Bruno.

Os olhos dela brilham: “Eu no deserto com você!”.  Está encantada;  com a paisagem e com a companhia. Mais adiante fazem uma parada. O visual é indescritível e estão os dois ali sozinhos. “Nunca me senti tão livre assim”, ela diz e rodopia como uma bailarina para uma platéia de uma pessoa só. Pra que mais? Nesse imenso teatro, só aquela pessoa a interessa.

O número continua até que ela atira nos braços de Bruno num pas de deux improvisado. O partner, que não estava preparado, perde o equilíbrio e cai barranco abaixo, levando a bailarina junto. Os dois rolam pela areia até pararem juntos, os rostos praticamente colados. A situação os leva às gargalhadas, mas no instante seguinte, já estão trocando olhares intensos, sérios e sem palavras.

Em contraste com o súbito silêncio – ou melhor, com o som do vento – imaginamos que os corações deles pulsem freneticamente. O que acontece depois é consequência inevitável de uma forte atração. Mas quem se importa? Os dois são livres como o vento.

Último capítulo de Caminho das Índias.